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Confissões de fé? Credo!

por Josaías Jr.

Josaías Jr.

Tem coisa mais fora de moda que credos e confissões? Sim. Falar sobre eles. Ou ler sobre eles. Entretanto, semana passada, falei sobre o assunto em um pequeno grupo (mesmo eu sendo batista e a maioria do grupo ser de presbiterianos – bendito e curioso Evangelho que nos une) e compartilho com vocês uma aula que fiz sobre o assunto.

Sei que o assunto deve parecer chato para alguns, mas num mundo em que o interessante são os romances de Felipe Dylon, Luan Santana e Latino, vale a pena gastar um pouco de tempo sendo fora de moda.

Note que escrever isso também foi um exercício para mim, uma vez que não venho de um contexto confessional. Assim, os argumentos e objeções que levanto aqui também são meus, porque aceitar ou não o uso de credos e confissões – simplesmente por costume ou por moda – não é a melhor forma de lidar com o assunto.

Num mundo em que o interessante são os romances do Latino, vale a pena gastar um pouco de tempo sendo fora de moda.

O que é uma confissão de fé?

As confissões e declarações de fé são documentos criados pelas igrejas para expor sistematicamente as doutrinas defendidas por elas. Essas declarações de fé por muitos anos foram o texto utilizado para estudos bíblicos e discipulados dentro das igrejas. Nas palavras de Philip Schaff:

Um Credo, regra de fé ou símbolo é uma confissão de fé para uso público, ou uma forma de palavras colocadas com autoridade… que são consideradas como necessárias para a salvação, ou, ao menos, para o bem-estar da igreja cristã.

Em geral, não existe tanta diferença entre um credo, uma confissão ou uma declaração de fé, embora os credos, normalmente, sejam mais curtos, enquanto as confissões expõem mais detalhadamente as doutrinas bíblicas.

A confissão de fé na Bíblia

Muitos pensam que a prática da igreja de fazer esses declarações não vêm da Escritura. Entretanto, encontramos na Bíblia algumas declarações simples, que eram utilizadas como afirmação daqueles que se uniam como/ao povo de Deus. Por exemplo, já no Antigo Testamento, temos a oração conhecida como Shemá (que significa “ouve”), feita pelo povo judeu até hoje.

“Ouça, ó Israel: O SENHOR, o nosso Deus, é o único SENHOR.” (Dt 6.4)

Ícone do Credo Niceno

Podemos crer que tanto Jesus quanto seus apóstolos conheciam essa declaração, recitada em sinagogas a cada reunião. No Novo Testamento, vemos algumas dessas declarações entre a igreja primitiva.

“Pois o que primeiramente lhes transmiti foi o que recebi: que Cristo morreu pelos nossos pecados, segundo as Escrituras, foi sepultado e ressuscitou no terceiro dia, segundo as Escrituras, e apareceu a Pedro e depois aos Doze.” (1Co 15.3-5)

“Não há dúvida de que é grande o mistério da piedade: Deus foi manifestado em carne, justificado no Espírito, visto pelos anjos, pregado entre as nações, crido no mundo, recebido na glória.” (1Tm 3.16)

Além disso, alguns entendem também que a declaração “Jesus é o Senhor” era um tipo de confissão da igreja primitiva (Rm 10.9,10 e 1 Co 12.3).  Outro texto relevante para essa questão é a conversa entre Jesus e os discípulos, em que o Senhor espera que eles respondam sobre sua identidade (Mt 16.16). Certamente Jesus sabia o que se passava no coração dos discípulos, mas a confissão pública , “a boca que faz confissão” (Rm 10.10), tinha seu valor.

A Bíblia valoriza a confissão pública de fé, não como algo que pode nos salvar, mas como parte da vida do cristão e evidência da salvação. O pecado de Pedro, durante o julgamento de Cristo, foi justamente a falta de coragem em declarar que ele seguia a Jesus – mesmo que, em seu coração, ele cresse naquele homem (ainda que de maneira débil ou mesmo superficial). Certamente, o texto não está nos ensinando a sistematizar a fé de maneira como fazemos hoje, mas deixa claro que uma declaração pública tem seu valor pelo testemunho diante dos homens.

A confissão de fé na História

Com o passar dos anos, a igreja, sofrendo ataques de doutrinas contrárias à Palavra de Deus, viu-se na necessidade de constituir o que chamamos de credos: declarações resumidas das doutrinas cristãs básicas. Entre os mais famosos temos o Credo Apostólico, que popularmente é associado aos apóstolos (algo questionável, mas sabe-se que era usado no segundo século pelas igrejas de Tertuliano), e o Credo Niceno, formulado em 325 d.C, a fim de combater heresias antitrinitarianas.

Confissão de Fé de Westminster

Após a Reforma Protestante, os crentes não-católicos precisaram também sistematizar e formalizar suas doutrinas. Assim, surgem as confissões de fé protestantes, sendo a primeira delas a Confissão de Augsburgo (1530). Depois disso, vieram muitas outras como a Confissão Belga (1561), a 2a Confissão Helvética (1566) e a Confissão Escocesa (1560). Entre as igrejas presbiterianas, a , Confissão de Fé de Westminster (1646) é a mais aceita e reflete de maneira mais clara a teologia calvinista. Essa confissão não apenas influenciou e guiou igrejas presbiterianas, mas foi base para outras confissões, como a Confissão Batista de Londres (1689).

Atualmente, porém, a prática de confessar ou declarar a fé se torna cada vez menos comum entre as igrejas. Poucas levam a sério a prática de ensinar e publicar sua confissão ou credo, e a maioria dessas poucas ainda prefere usar textos mais genéricos (como o Credo Apostólico) a fim de não parecer excludente. Como consequência, poucos crentes dedicam-se também ao estudo e ao ensino dessas verdades.

Diante dessa situação, devemos realmente repensar o motivo de termos essas confissões ainda. Para isso, vejamos algumas objeções mais comuns à essa prática e, em seguida, apresentaremos bons motivos para continuar usando tais documentos.

Objeções às confissões de fé

1) As confissões tomam o lugar da Bíblia: É verdade que isso aconteceu durante a história da igreja, como, por exemplo, os credos da igreja católica que tornaram-se dogmas inquestionáveis, acima do ensino bíblico. Entretanto, não é esse o caso das confissões de fé protestantes. Elas nunca se colocam como Palavra de Deus ou acima dela.

Heber Campos explica a diferença entre os termos normas normans (“regra que regula”) e norma normata (“regra que é regulada”). No caso das confissões protestantes, adotamos a segunda opção, ou seja, a confissão, como criação humana, é regulada pela Bíblia. Por outro lado, a Bíblia é regra que regula nossas confissões. Veja o que diz a Confissão de Westminster:

O Juiz Supremo, pelo qual todas as controvérsias religiosas têm de ser determinadas e por quem serão examinados todos os decretos de concílios, todas as opiniões dos antigos escritores, todas as doutrinas de homens e opiniões particulares, o Juiz Supremo em cuja sentença nos devemos firmar não pode ser outro senão o Espírito Santo falando na Escritura. (Mt 22.29, 31; At 28.25; Gl 1.10)

2) As confissões não são encontradas na Bíblia: Como vimos, temos diversas passagens bíblicas que derrubam essa objeção.

3) As confissões deixam a fé complicada: Alguns entendem que a fé é tão simples que uma criança pode entender. Em parte, essa afirmação é correta, porém, o próprio apóstolo Pedro diz que existem assuntos complicados na própria Bíblia (2 Pedro 3.16).

Ainda assim, apesar de uma confissão parecer algo intimidante à primeira vista, ela acaba sendo útil para o cristão que quer encontrar uma sistematização simples das doutrinas bíblicas, sem precisar recorrer a um grande volume de teologia sistemática, por exemplo.

4) As confissões são uma camisa de força: Essa objeção baseia-se mais em uma pressuposição de que Deus tem mais a nos falar que aquilo revelado em sua Palavra. As confissões de fé propõem-se apenas a explicar o que a Bíblia diz, e se a Bíblia não vai além em certos assuntos, a confissão não deve ir também.

A assembleia dos doutores de Westminster

5) As confissões provocam divisão e conflitos: Em geral, as confissões e credos surgem da necessidade de resolver conflitos com heresias e outras crenças, logo promovem a paz. Da mesma forma, elas servem como identidade de uma igreja, trazendo unidade em torno de uma expressão da fé.

Não negamos que possam haver divisões por causa de certa declaração, mas normalmente isso envolve ou 1) o mau uso da confissão,  elevando ela acima do Evangelho, ou 2) na defesa do Evangelho, quando é necessário que a igreja tome certa posição (por exemplo, aqueles que não aceitam o Credo Apostólico ou Niceno são, de fato, excluídos da igreja).

6) A confissão deve ser algo pessoal: A confissão pode ser pessoal e mesmo pastores discordam de um ponto ou outro. Elas não são impostas sobre as pessoas (ainda que alguns desejem isso). Entretanto, é natural que pessoas reunidas em certa comunidade cristã acabem concordando em diversos pontos e sintam o desejo de declarar essa fé conjunta.

Essa objeção também pode trair um problema na pessoa que a levanta: pode representar alguém individualista, que coloca seus pensamentos e experiências como autoridades finais ou que não consegue viver uma vida em comunidade.

7) As confissões estão fora de moda: Um bom motivo para pensarmos em usá-las. Não porque devemos ser contra nosso tempo, mas porque não podemos engolir todas as modas e costumes de nossa era sem alguma reflexão. Esse argumento pode revelar a superficialidade de quem o levanta, uma preocupação maior com padrões seculares que com a história e a saúde da igreja.

8) As confissões não são garantia de ortodoxia/ortopraxia: De fato. Assim como um muro, uma porta fechada, um alarme não são garantias de que uma casa não será assaltada, mas são meios para que isso não aconteça. As confissões não garantem uma igreja ortodoxa, mas mostram-se muito úteis para esse propósito.

Por que usar confissões de fé

1) Historicidade da fé: As confissões de fé nos ligam aos nosso pais na fé. Em um tempo de “esnobismo cronológico” (expressão de CS Lewis para o desprezo pelo que não é novo), as confissões e os credos nos mostram a sabedoria das eras passadas, além de mostrar que cremos em um Evangelho firmado na história.

O Credo Apostólico pode ter surgido entre os primeiros cristãos, aqueles que estavam mais próximos de Cristo ou aqueles que conviveram com os apóstolos. O Credo Niceno nos mostra a luta pela doutrina na Trindade. A Confissão de Westminster nos lembra a devoção dos reformados aos princípios bíblicos.

2) A natureza da igreja como um grupo em torno de um padrão de referência: Não somos simplesmente uma reunião de pessoas, somos o povo de Deus, que foi chamado por meio da pregação do Evangelho. Esse Evangelho diz respeito a quem é Deus, quem é Cristo, quem é o homem, o que é a igreja, etc. Se não nos unirmos em torno dessas verdades, estaremos nos unindo em torno de outra coisa. Se a identidade da igreja não se basear na Palavra de Deus, ela se baseará em outras pressuposições. Assim, os credos e confissões nos auxiliam a entender quem somos e a apresentar aos outros a nossa identidade em torno de Cristo.

Creio, de Michael Horton

3) Ataques de heresias e outras religiões: Como vimos, muitos credos e confissões surgem do desejo de combater falsos ensinamentos que surgiram na igreja. Eles também servem para nos diferenciar de outros grupos religiosos. Por exemplo, como saber se um mórmon pode ser considerado meu irmão ou não? Qual a diferença entre um espírita e um evangélico? O credo nos auxilia a combater e identificar falsos ensinos.

Em geral, igrejas que não assinam qualquer confissão de fé acabam tornando-se mais vulneráveis a ataques sutis, como confusão entre as duas naturezas de Cristo, entre as pessoas da Trindade, sobre o papel das obras na vida do crente ou aceitam ensinamentos não-bíblicos como verdadeiros – por exemplo, a negação da soberania de Deus, revelações de anjos, técnicas seculares de crescimento, etc.

4) Pluralismo do tempo presente: Vivemos em um mundo que defende todas as crenças e opiniões como igualmente corretas. Os credos se colocam contra essa ideia, afirmando que existe, sim, uma posição que a igreja deve tomar como verdadeira, o que significa, consequentemente, que todas as outras são distorções ou negações dela.

5) Experiencialismo: É comum vermos certos cânticos antibíblicos tornarem-se moda na igreja e parte inquestionável do culto. Muitas vezes, isso acontece porque eles “marcaram” alguém em certa situação. Da mesma forma, a visão de um pastor pode tornar-se lei em uma igreja, mesmo que princípios bíblicos sejam derrubados por isso.  Isso se deve pela falta de “muros doutrinários”.

Sem as confissões e os credos, as “revelações” e experiências podem ganhar status de autoridade final. Muitas igrejas acabam transformando essas situações naquilo que chamamos mais acima de “regra que regula”. Uma confissão, quando ensinada como “regra regulada”, pode conter esse tipo de confusão em que muitas igrejas acabam adentrando.

6) Pureza da doutrina: Pedro nos diz para explicar a razão da nossa esperança àqueles que perguntam. Judas escreve para que seus leitores proteger diligentemente pela fé um dia entregue aos santos. Paulo nos chama a lutar pela fé. Sem sabermos que fé e esperança é essa, pelo que batalharemos e como a explicaremos? As confissões nos auxiliam a entender aquilo em que cremos.

7) Ensino aos neófitos: A confissão se mostra uma ótima maneira de expor a fé tanto a crianças “naturais” quanto a crianças na fé. Ela pode ser um dos primeiros passos para o neófito aprender mais sobre sua salvação, para fortalecer sua convicção e prepará-lo para o testemunho público. Tenho boas recordações de como a Confissão Batista de Londres me ajudou a compreender melhor a teologia reformada. Posso dizer que uma pequena parte da existência do iPródigo deve-se a esse estudo :)

8) Testemunho da fé: Uma igreja deixa claro em que ela crê e o que a une quando confessa publicamente isso. Tanto incrédulos quanto cristãos saberão o que move esse grupo e por que ele é o que é.

9) Meios de estudo: Não apenas os neófitos se beneficiam dos credos e confissões, mas muitos estudiosos escreveram livros baseados neles. Por exemplo, temos o livro Creio, de Michael Horton, baseado no Credo Apostólico, e o Comentário à CFW, de A.A. Hodge.

10) Exortação, Correção e Último recurso: Os credos e confissões podem ser usados como sinalização para que as ovelhas analisem o que está sendo ensinado nas igrejas, como faziam os bereianos. Eles são úteis para corrigirem pastores e mestres, caso eles estejam se desviando da fé. E servem como um recurso final se essa causa for julgada em uma instância mais alta que a igreja local.

Bibliografia e mais informações

The Need for Creeds and Confessions – por Rev. Brian Garrard

A Relevância dos Credos e Confissões – por Heber Carlos de Campos

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12 comentários em Confissões de fé? Credo!

  1. Gustavo Adolpho

    04/05/2011, 17h54

    Olá, Josias.

    Gostei muito de seu texto. É um texto muito claro, e por que não necessário?
    Eu mantenho um site com vários textos sobre o cristianismo, e gostaria de te pedir permissão para publicar este texto por lá também, dando os devidos créditos.

    1
  2. iPródigo

    iPródigo

    04/05/2011, 18h11

    Oi Gustavo, pode aprovar. Mas na hora dos créditos, é Josaías, não Josias hein? :)

    abraço!

    Josa

    2
  3. Weliton Borges

    04/05/2011, 18h28

    Olá Josaías, muito bom o texto.

    Realmente tenho visto um desleixo das igrejas hoje em serem confessionais. Dizem que seria aprisionar o Espírito Santo que é quem sustenta a igreja.

    Creio que este tipo de pensamento deve-se a dois fatores muito fortes no Brasil na segunda metade do século XX.

    1 – Pentecostalismo e Neopentecostalismo que influencia todas as denominações brasileiras, quer seja pela absorção de suas ideias, quer seja pelo total repúdio. O que nos dois casos são problemas.
    Desta herança, temos em algumas igrejas a negação do sola scriptura em favor de um “sola experientia” onde a bíblia é colocada em segundo plano diante de uma experiência. Gostaria de ressaltar que isso não é oriundo do pentecostalismo clássico, mas talvez do Neopentecostalismo e o pentecostalismo popular.

    2 – O liberalismo teológico, que creio ser outro tipo de fé.
    Essa heresia mais que o pentecostalismo ignora o sola scriptura e pensamentos sistemáticos ou tradicionais, até porque o que manda é o fator histórico critico e não o pressuposto da revelação.
    Estes dois fatores realmente tem influenciado as igrejas brasileiras e aceitar ou utilizar uma confissão de fé ou um credo.

    Porém tenho algumas observações.

    Devemos nos lembrar de que o um dos lemas da reforma era: “sempre se reformando”.
    Sou a favor de uma igreja possuir uma confissão de fé bem clara e objetiva, que respondam os questionamentos atuais.

    Tenho dificuldade em entender como se utilizam até hoje (sem qualquer ampliação) uma confissão de fé de 400 anos que foi criada para as igrejas da Inglaterra num sistema cultural bem distinto do brasileiro do século XXI.

    Essa confissão de fé não e os catecismos que delas surgiram não respondem todas as questões atuais, deveríamos sim adotar uma confissão de fé, porém elas têm que vislumbrar a proclamação do reinado de Cristo também para a sociedade atual.

    E como foi no século XVII, se tornar um padrão moral para nossa sociedade. Isso só será possível se nos dedicarmos a uma TEOLOGIA BIBLÍCA de qualidade e a um compromisso com o Reino de Deus.

    Att,
    Weliton Borges

    3
  4. Diogo Bochio

    04/05/2011, 18h55

    Achei o texto simplesmente fantástico!!!! Eu também sou de tradição batista, mas não fui instruído com base na Confissão de Fé de 1689, para falar a verdade, minha instrução batista, como a da maior parte dos batistas de minha geração, foi meio self-service.

    Para mim as confissões, as confissões de fé tem sido um grande ponto de partida no desenvolvimento de minha teologia. É como “estar nos ombros de grandes gigantes”, aprender com aqueles que já abriram uma trilha através de uma mata densa. Não acho coerente descartarmos esses grandes tratados teológicos, mas não acho prudente cristalizarmos esses tratados teológicos – isso seria considerar que os mestres do passado (seja ele distante ou mais recente) eram inerrantes.

    A Confissão de Westminster que temos hoje não é o documento originalmente escrito em 1648, embora alguns queiram esquecer que o documento que temos hoje sofreu mudanças em função do desenvolvimento do pensamento político decorrente das colônias norte-americanas. Quantos problemas teríamos evitado, e quantos mestres teríamos conhecido se as Confissões fossem revidas de tempos em tempos?

    Para finalizar, deixo duas observações que são importantes para mim.
    1) Admiro a qualidade doutrinária dos primeiros mártires protestantes em solo brasileiro, aqueles 4 huguenotes que foram executados por Villegagnon . Aqueles homens foram obrigados a escrever um posicionamento teológico sobre pontos conflitantes entre a teologia recém readquirida de Villegagnon e a teologia calvinista, documento este que selaria a sentença de morte destes homens e hoje é conhecido como “A Confissão de Guanabara” (primeiro tratado teológico em solo brasileiro – vale a pena conhecer). A qualidade desta confissão é tamanha que dificilmente teríamos um pastor (até mesmo presbiteriano, que diz conhecer a de Westminster) que poderia redigir um documento como este, ainda mais na condição em que estes homens se encontravam – e detalhe, eles eram leigos! Isso me faz acreditar que precisamos sim repensar o ensino nas nossas comunidades de fé, e que precisamos entender que a teologia não pertence ao clero, mas à igreja, e que todo cristão deveria ser capas de se posicionar como estes homens se posicionaram.
    2) John Piper, como é de conhecimento geral, tem promovido grandes reformas nos alicerces de sua comunidade de fé, sempre mudanças que coloquem as coisas dentro da perspectiva bíblica. Neste aspecto de credo e confissões eles promoveram algumas mudanças ao longo dos anos, sempre de forma coerente e estruturada, ou seja após ANOS de instrução a cerca daquilo que ele já tinha bem claro em seu coração que precisaria mudar. Uma das praticas ligadas ao desenvolvimento do pensamento cristão (life of the mind) das próximas gerações é que os pastores precisam desenvolver suas declarações de fé… um exercício que promove uma maior reflexão destes. Dificilmente eles escreveriam algo que conflitasse com a declaração de fé em voga da Bethlehem Baptist, mas após escreverem suas próprias declarações, os pontos ali tratados estariam muito bem escritos em seus corações – assim como toda a lógica necessária para que o desenvolvimento destes pontos de fé (isso é um exercício muito mais nobre e proveitoso do que decorar uma declaração para passar em um exame) .
    Peço perdão por ter me empolgado, e mais uma vez parabenizo o artigo tão bem escrito!!!! Vou indicar para todos, principalmente para aqueles que saberão fazer bom proveito dele!!

    Abraço,

    Diogo

    4
  5. Rafael

    04/05/2011, 21h19

    “um pequeno grupo (mesmo eu sendo batista e a maioria do grupo ser de presbiterianos – bendito e curioso Evangelho que nos une)[...]”

    Embora concorde com o assunto que foi exposto e acredite que seja saudável que a igreja local faça sua declaração de fé, a frase acima não saiu da minha cabeça durante toda a leitura..

    O ESPANTO NÃO É O EVANGELHO UNIR IRMÃOS QUE SE ENCONTRAM EM DENOMINAÇÃO, VISTO QUE O PRÓPRIO OBJETIVO DAS BOAS NOVAS É NOS UNIR COMO FILHOS DO PAI, MAS O ESPANTO É A DIVISÃO QUE AS DENOMINAÇÕES FAZEM COM IRMÃOS AMADOS. Totalmente desnecessário o comentário, se reuniram como irmãos, e não como batistas e presbiterianos.

    5
  6. Emilio

    04/05/2011, 22h40

    Boa Josa!! Obrigado pelo estudo na quinta e pela materia no site. Deus o abencoe.

    6
  7. iPródigo

    iPródigo

    05/05/2011, 00h35

    Meu irmão Rafael, me desculpe, mas isso é ir além do que foi dito aqui. Foi apenas um fato curioso e até irônico que notamos na reunião e pudemos rir enquanto eu elogiava a Confissão de Fé Batista de Londres como uma melhorada da Confissão de Westminster. Diferenças doutrinárias existem e quando elas não são essenciais e são tratadas dessa forma – como secundárias – podemos nos alegrar e até rir da situação. Enfim, eu era batista e eles presbiterianos e somos irmãos. Uma coisa não exclui a outra.

    abraços

    Josa

    7
  8. Ana Cecília

    07/05/2011, 07h13

    Excelente texto, Josa!
    Melhor que o Luan Santana, eu achei, hehehe…

    Sinto muita falta de ter as confissões e do costume de acessá-las. Vejo o reflexo que isso traz à sociedade relativista em que vivemos.
    Bom demais!

    8
  9. João Vinícius

    10/05/2011, 17h00

    Olá Josaías, gostei muito do post.. Muito relevante, que Deus continue a abençoar e guiar com sua divina providência o trabalho do iProdigo. Mantenho um site da mocidade de minha igreja – http://www.mocidadeipba.com – e gostaria de publicar seu post lá, dando os créditos, claro.

    Fiquem na paz, você e toda equipe do iProdigo.

    Forte abraço.

    9
  10. Gustavo Adolpho

    17/05/2011, 22h46

    Olá, Josaías. Acho que agora acertei seu nome, né? Hehehehe… Acabei de publicar seu texto em nosso site também, fazendo referência ao site de vocês, como havia prometido. O link para o texto é http://www.e-cristianismo.com.br/pt/teologia-geral/207-confissoes-de-fe-credo.

    Obrigado.

    10
  11. Weliton Borges

    30/01/2012, 15h06

    Meu povo como eu fui herege no meu comentário acima.. principalmente referente às observações a respeito de uma confissão de fé de 400 anos.

    Para reparar meu erro nisso posso dizer que as confissões de fé da reforma são apenas uma exposição sistemática da bíblia, sendo assim é tão útil como foi no século XVI, visto que a bíblia sempre será perfeitamente útil para o ensino e a repreensão para nos tornar sábios para a salvação.

    att,
    Weliton Borges

    11
  12. Davi

    27/02/2012, 17h48

    Muito bom o texto Josa! Merece uma reflexão no nosso contexto atual! Deus o abençoe e continue inspirando!

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