Entendendo a relação Criador-criatura
por Justin TaylorMuitos erros na teologia ocorrem por conta da ideia implícita que Deus deve ser como nós de algum jeito.
(Nota: Depois de postar isso, eu li a resposta de Albert Mohler a Brian McLaren, e Mohler acertadamente mostra como McLaren exemplifica esse tipo de erro)
Em 2003, eu li o trecho que se segue de Ardel Canedey, e essa leitura me ajudou a ver a importância de entender a relação Criador-Criatura na ordem correta. Vale a pena ler isto bem devagar para que se entenda a importância de cada ponto:
A nossa compreensão de Deus e da relação com Deus só pode ser feita porque deriva do fato que Deus fez o homem a sua imagem.
A impressão da imagem de Deus é orgânica.
A analogia Criador-criatura fornece cinco comparações principais na relação que nós temos com Deus:
(1)Rei e subordinado;
(2)Juiz e defesa/litigante;
(3)Esposo e esposa;
(4)Pai e filho, e
(5)Senhor e escravo
Deus, que nos fez como criaturas a sua própria imagem, tem prazer em se revelar a nós mantendo o adorno divino com o qual Ele nos faz ver algumas coisas.
Aqui está a essência do antropomorfismo: Deus se revela a nós em termos humanos, mas mesmo assim não devemos comparar Deus como se nós fossemos o ponto de referência final. Deus imprimiu sua imagem organicamente em nós para que nosso relacionamento uns com os outros reflitam o relacionamento dEle conosco.
Nós não conhecemos Deus como criador ex nihilo1 simplesmente porque nós nos vemos como criativos e então o imaginamos como um maior e melhor criador. Ao invés disso, o homem cria porque é imagem de Deus. Deus é o original; nós somos a imagem orgânica, a cópia viva.
Não falamos com justiça sobre Deus como Rei quando projetamos nele o imaginário popular, já que se encaixa no que pensamos sobre Deus. Mas nos prostrarmos perante Deus, que tem todo o domínio, é apropriado porque o homem, como regente sobre a criação, é a imagem do reinado de Deus. Deus, o Rei verdadeiro, é a realidade que projeta a imagem da regência humana.
Não é como se Deus olhasse ao redor na criação e visse a união matrimonial entre homem e mulher como sendo o padrão perfeito para seu relacionamento com o ser humano. “Homem e mulher Ele os criou” para que eles “se tornem uma só carne” (Gn 2.24). A união de marido e esposa é a imagem terrena ou a cópia da união celestial de Deus, o verdadeiro marido, com seu povo, sua esposa. Paulo entendia o casamento como em Gênesis 2.24, pois ele cita a passagem e a explica: “Este é um mistério profundo; refiro-me, porém, a Cristo e à igreja.”
1. Ex nihilo: Que surge do nada ou do vazio
—A. B. Caneday, “Veiled Glory: God’s Self-Revelation in Human Likeness—A Biblical Theology of God’s Anthropomorphic Self-Disclosure,” in Beyond the Bounds, ed. Piper, Taylor, and Helseth (Crossway, 2003), p. 163;
Tradução: Rafael Bello| iprodigo.com| original aqui
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Caio
25/03/2011, 18h25É, o grande erro que o autor aponta é aquela velha tendência do ser humano de se ter como o parâmetro, e depois projetar nos outros e em Deus as próprias conclusões. Mais ou menos como dizer que, já que quando eu tenho ira é uma raiva descontrolada e bem pouco santa, então Deus também não pode se irar.
Que é o que o McLaren faz claramente (e que o Mohler rebate), mas com relação a outros aspectos (justiça e santidade, salvo engano). É ver como uma determinada situação funciona para nós, humanos, e a partir disso concluir (falaciosamente) que para Deus deve ser do mesmo modo. O exemplo do McLaren é surreal, quase não dá para acreditar que alguém pensa assim mesmo.
Devemos voltar sempre à Palavra, em que Deus se auto-revela, e numa atitude sincera e humilde, aceitar o que as Escrituras dizem a respeito dEle Se porventura não parecer exatamente aquilo que gostaríamos que fosse, devemos pedir a Deus que Ele mesmo transforme nosso coração e abracemos a verdade como ela é.