Nossa nova e exaltada identidade
por Tullian TchividjianQuando a maioria de nós para por tempo o suficiente para refletir sobre o que estabelece nossa identidade, o que realmente nos faz quem somos, muitos de nós agimos como se a resposta a esse questionamento fosse “nossa performance”. Em Who Will Deliver Us [Quem nos salvará], Paul Zahl fala sobre isso:
Se eu conseguir fazer as coisas certas, eu terei estabelecido meu valor. Identidade é a soma das minhas realizações. Assim, se eu consigo satisfazer meu chefe, satisfazer as necessidades do meu cônjuge e dos meus filhos e, ainda assim, fazer justiça às minhas aspirações interiores, então terei provado meu valor. Há infinitas maneiras de provar nosso valor, se seguirmos essa linha. A equação mais básica é: eu sou o que eu faço. É uma disposição religiosa para a vida, porque tenta responder de forma prática as questões “Quem sou eu?” e “Qual é o meu propósito, meu espaço, no universo?”. Seguindo esse caminho, meu propósito é proporcional aos meus feitos. Na teologia cristã, tal posição é chamada de justificação pelas obras. Ela parte do pressuposto que o meu valor é medido pela minha performance. Implicitamente, ela contém um temor obscuro e poderoso: se eu não me sair bem, serei julgado como sem valor. Assim, deixo de existir para mim mesmo.
O evangelho nos libera dessa pressão das obras, dessa obrigação forçada de “se tornar”. O evangelho liberalmente declara que, em Cristo, nós “já somos”. Enquanto o mundo constantemente nos tenta a colocarmos a nossa identidade em algo ou em alguém menor que Jesus, o evangelho nos liberta ao revelar que a nossa verdadeira identidade está fixada em Cristo. Nossa conexão em e com Cristo é a mais verdadeira definição de quem nós somos. Se você é um cristão, aqui estão as boas notícias: quem você realmente é não tem nada a ver com você – o quanto você alcança, quem você se torna, seu (bom ou mau) comportamento, suas forças, suas fraquezas, seu passado sórdido, seu histórico familiar, sua educação, sua aparência e por aí vai.
Sua identidade está firmemente ancorada na obra de Cristo, não nas suas; na força dele, não na sua; na performance dele, não na sua; na vitória dele, não na sua. Sua identidade é vigorosamente estabelecida na substituição dele, não no seu pecado.
Você é livre!
Agora você pode passar a sua vida abrindo mão do seu lugar, ao invés de guardá-lo dos outros – pois sua identidade está em Cristo, não no seu lugar.
Agora você pode passar a sua vida indo para o fundo, ao invés de buscar estar à frente – pois sua identidade está em Cristo, não na sua posição.
Agora você pode passar a sua vida dando, não tomando – pois a sua identidade está em Cristo, não nas suas posses.
Paulo fala de nós sermos “sepultados com ele [com Cristo] no batismo”, em quem nós fomos “ressuscitados mediante a fé no poder de Deus que o ressuscitou dentre os mortos” (Colossenses 2.12). Nossa antiga identidade – as coisas que previamente nos moldavam – foi sepultada. Nossa nova identidade é “em Cristo”. Fomos ressuscitados com Cristo para andarmos em “uma vida nova” – não precisamos mais depender das “coisas antigas” para nos fazerem quem somos.
Agora você pode passar a sua vida dando, não tomando – pois a sua identidade está em Cristo, não nas suas posses.
Tudo isso é a nossa nova identidade – tudo por causa da obra completa de Cristo declarada a nós no evangelho.
Quando verdadeiramente enxergamos e entendemos esses aspectos do que nós nos tornamos em Jesus Cristo, o que mais poderíamos querer ou precisar quando falamos de identidade? Aqui em Cristo nós temos o valor, o propósito, a segurança e a significância que tornam profundamente risíveis todas as coisas passageiras desse mundo, nas quais somos frequentemente tentados a estabelecer nossa identidade.
Traduzido por Filipe Schulz | iPródigo.com | Original aqui
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