Nunca me confundiram com o Brad Pitt
por Tim Challies
por Tim Challies
Eu nunca fui confundido com o Brad Pitt. Nenhuma vez sequer. Também nunca aconteceu de alguém me parar na rua e, com certo desapontamento, pedir desculpas e falar “Me perdoe, eu achei que você era o Johnny Depp”. Isso simplesmente não acontece. E existe uma razão para isso. Brad Pitt e Johnny Depp são homens excepcionalmente bonitos (e eu digo isso de uma forma extremamente heterossexual). Por mais que pensemos, pelo menos um pouco, que a beleza está nos olhos de quem vê, não há duvidas de que, pelo menos culturalmente, existe certo padrão de beleza que separa os normais dos excepcionalmente bonitos. Brad e Johnny se encaixam na segunda definição. Eu, como a maioria, definitivamente sou o primeiro caso. Alguns terapeutas preocupados podem pensar em me escrever sobre como eu não tenho uma auto-imagem saudável, ou qualquer outra psico-baboseira, mas eu garanto que estou muito bem em relação a isso, obrigado. Sei quem eu sou e sei o que eu não sou. E eu não sou nenhum Brad Pitt.
O que me chama mais a atenção é que Aileen, minha esposa que (graças a Deus) não parece ter nenhuma paixão profunda e irracional por estrelas de cinema, está perfeitamente satisfeita comigo, com meu não-tão-esculpido queixo e o meu eu-sei-que-está-aí-embaixo-de-algum-lugar abdômen. Isso, a meu ver, é algo muito bom. Seu amor é cego da forma certa, e eu sou o agradecido beneficiário disso.

Johnny "Jack Sparrow" Depp
Alguns dias atrás eu estava dirigindo por Los Angeles com alguns amigos (que também não se parecem com Brad Pitt ou Johnny Depp) e começamos a discutir sobre a cultura da celebridade dentro da igreja, e a difícil tarefa de ser sempre o melhor pregador de todos os tempos. Eu não acho que possamos, racionalmente, negar que já uma séria cultura de celebridades na igreja hoje, e isso mesmo (ou até especialmente) em meio ao Novo Calvinismo. Se isso sempre foi o caso, eu não sei. Mas eu considero inegável que, para o bem e/ou para o mal, isso é muito forte atualmente. E aqueles que têm que enfrentar a difícil tarefa de “competir” com o brilhantismo desses pregadores famosos são justamente os pastores ‘normais’ de igrejas como a sua.

Brad Pitt
Os cristãos de hoje têm acesso (via Internet, claro) a vastas livrarias com os melhores sermões dos melhores pregadores – os Brads e Johnnys do mundo da pregação. Claro que, em lugar de queixos quadrados e abdomens rasgados, têm incríveis talentos para se comunicar de forma clara, ilustrar de forma direta, falar de forma apaixonada e expor brilhantemente a Palavra. Esses são homens que, por qualquer medida objetiva, estão um degrau acima da multidão assim como Johnny e Brad estão acima de mim. São homens que foram extraordinariamente presenteados por Deus e que têm usado fielmente seus dons para a Sua Glória. Eu, de forma alguma, quero falar mal desses homens que têm sido uma bênção na vida da igreja.
Mas, se a minha esposa está plenamente satisfeita com seu marido, eu vejo muitos cristãos que não conseguem estar satisfeitos com seus pastores. Qual é o porquê disso? Por que durante toda a semana, essas pessoas estão bebendo de outras cisternas, para pegar emprestada a expressão de Provérbios 5.15. Estão agindo como uma esposa que passa toda a semana pregando cartazes de estrelas de cinema em sua casa, e fica olhando fixamente para eles. Como seu marido pode ter esperanças de competir com esses ridiculamente bem apessoados homens? Muitos cristãos hoje em dia ouvem seu pastor no Domingo, e ouvem catorze sermões de catorzes pastores diferentes antes do próximo Domingo. E, muito freqüentemente, os sermões de seus pastores perdem na comparação. Não é de se surpreender que vemos muitos casos de pastores de pequenas igrejas simplesmente copiando os “tops”, plagiando o brilhantismo de outros homens. Não fomos nós que os levamos a isso?

"Queime depois de ler"
O fato é: Deus nos coloca em igrejas não tão perfeitas e normalmente nos dá pastores não tão brilhantes. O fato de haver pregadores extraordinários nos diz que deve haver uma multidão de pastores perfeitamente comuns. Isso significa que a maioria de nós foi abençoado por Deus com um tipo muito comum de pastor, assim como a maioria das nossas esposas foi abençoada com um tipo de marido comum. Esses homens, pastores comuns, sãos os que merecem nossa lealdade. É desses homens que Paulo está falando quando ele diz à igreja de Tessalônica para ter “consideração para com os que se esforçam no trabalho entre vocês, que os lideram no Senhor e os aconselham. Tenham-nos na mais alta estima, com amor, por causa do trabalho deles.” Esses são os homens que Deus nos deu para nos servir e trabalhar como nossos pastores. É através desses homens que Deus pretende abençoar você naquele corpo único e especial chamado igreja local.
Não quero dizer que não possamos ouvir podcasts e vídeos ou fingir que não existem pastores extraordinários. Nós podemos ouvir seus sermões e aproveitar suas grandes habilidades em ensinar a Palavra de Deus e nos chamar a viver à luz dela. Mas temos que guardar nosso coração nisso. Você não gostaria que seu filho fosse criado por outro pai e outra mãe, te amando da boca para fora e entregando seu coração a outros. Você não iria gostar de ver aquele olhar nos olhos de sua esposa, aquele olhar desapontado, frustrado, após ela ter passado o fia inteiro olhando para os cartazes das estrelas de cinema. Você precisa guardar seu coração para não, inconscientemente, se entregar a um pastor que não é o seu, e que por qualquer medida objetiva que você use, é superior ao seu.
Traduzido por Filipe Schulz | iPródigo
Home
Leandrenalina
16/11/2009, 15h54Mandou bem de mais no post/tradução cara.
Cheguei ao seu blog pelo VE.
Parabéns :)
Rafaela
16/11/2009, 16h21Nunca tinha pensado nesse ponto, e é verdade. Tão comum encher a igreja de “cartazes de pastores”… Talvez até mais do que dos atores dentro das casas. ;/
Felipe
17/11/2009, 13h55Me senti confortado com esse texto. Só temos que ter cuidado (pastores comuns)para não nos defendermos na mediocridade disfarçada de auto-aceitação. Se seremos sempre comuns, que isso não tenha a ver com nosso pouco esforço por melhorar, mas tão somente com a vontade de Deus de nos ter no lugar que Ele planejou para nós.
Jairo
18/11/2009, 12h27Eu já fui confudido com o Brad Pitt uma vez. Mas foi a minha avó e tava muito escuro.hehehe
Gostei do post!
Abraçosss
Angélica
19/11/2009, 11h45Concordo com o Felipe, mas tb acho q a comparação não foi das “mais felizes”. Acho que faltou senso de direção na metáfora utilizada, pois os cristãos que buscam “beber em outras fontes” talvez estejam mesmo sedentos. A propósito, acompanho os textos aqui publicados e sinto falta dos bons textos produzidos pelos “Brad Pitts” brasileiros.
Filipe Schulz
19/11/2009, 12h13O objetivo do texto não é proibir as pessoas de ouvir qualquer pastor que não seja o seu. Podemos, e devemos, fazê-lo. Mas não em detrimento do pastor da sua igreja. A direção da metáfora é justamente a comparação do Brad Pitt com o seu marido, ou da criança que gosta mais de outros adultos do que de seus próprios pais.
E uma das propostas centrais do nosso site é tornar acessível a todos o conteúdo de pastores de outros países. Por isso a falta de “Brads” brasileiros.
elcio j.s.s.
19/11/2009, 23h33gostei muito,foi bem elaborada e ilustrado o tema. me levou a exigir menos de nossos pregadores e me lembrei que Deus usa dos remidos o “menor”(josé.joão,manoeletc.)sem necessariamente o reverendo o dr.o fulano…
Daniel TC
30/11/2009, 01h01Caramba, tem vezes que a gente esbarra em placas especialmente importantes. Esta é uma delas.
Muito difícil, no meio de uma igreja evangélica brasileira, humanista, de esquerda, teologicamente despreparada em sua maior parte… MUITO difícil não comparar um Washer e um Driscoll… e o Piper… Com os pastores “normais”.
Que Deus tenha misericórdia de nós e nos dê a capacidade de sermos fiéis à liderança sob a qual nos colocou… E mais: que Deus transforme nossos pastores em pastores mais fiéis à Palavra a cada dia!
L.Daniel
12/12/2009, 13h57Parabens!!! Engraçado, algumas pessoas ao inves serem um meio de transformacao e ajuda como membro no corpo da igreja; comparam e criticam os profetas de casa, mas continuam com seus olhos vendados para as maravilhas da palavra de Deus. Vivem tendo “orgasmos” espirituais de sermoes dos brads-da-palava, no entanto nao sao capazer de meditar na palavra e proporcionar tal sensacao aos outros. Enchen-se, facinan-se, e vivem viciadas em ver/ouvir novas pregacoes maravilhos. Obs:infelizmente ficam no ver/ouvir