O problema da modinha
por Carl TruemanNota do Tradutor: Para saber um pouco mais sobre o assunto, recomendamos esse texto, do Filipe Niel, e esses dois, do Helder Nozima. O texto a seguir não pretende de forma alguma ser contrário ao que se tem falado sobre o movimento do “Novo calvinismo”, até porque nós do iPródigo temos participação nisso, mas é apenas uma ressalva que achamos merecer alguma atenção.
Confissões de um não-hipster
Um estudante recentemente me perguntou por que eu odeio tanto as modinhas. Do meu gosto musical às minhas escolhas de sapato, eu vou naquilo que penso ser atemporal (rock clássico e brogues) ao invés do que é contemporâneo (tudo que foi gravado ou desenhado desde 1985, por exemplo).
Eu respondi que vivemos uma grande parte das nossas vidas antes dos 25 anos. Nessa época, os gostos se consolidam. Daí em diante, o Senhor me livrou da necessidade de me vestir como um roqueiro desarrumado, conversando em algum tipo de linguajar das ruas extremamente embaraçoso para fingir que ainda consigo me conectar com “os jovens”. Eu sou, afinal de contas, um ministro Presbiteriano Ortodoxo. É difícil imaginar algo mais fora de mora ou culturalmente deslocado. Mais ainda, qualquer um que tenha escutado qualquer tipo de rock produzido nos últimos vinte anos sabe o insulto que geralmente é ao gênero.
Teologia Reformada: O Fator da Moda
A conversa, entretanto, tendeu para uma direção mais séria: o atual reavivamento da teologia reformada é levado pelo fato de que as pessoas pensam que é legal ou porque as pessoas pensam que ela é verdadeira?
Eu me alegro em ver o apetite crescente entre homens e mulheres com menos de 40 anos de idade pelos grandes expoentes da graça soberana, a propiciação de Cristo, a justificação pela fé somente e a centralidade da pregação. Que essas coisas estejam de volta ao foco de uma forma que não poderia ser antecipada há dez anos é realmente um grande testemunho, tanto da graça de Deus quanto do profundo comprometimento e esforço de uma geração inteira de cristãos.
Ainda assim, eu tenho um sentimento – talvez em função do meu pessimismo britânico – que talvez estejamos presenciando algo mais de moda do que genuíno.
Reavivamento Genuíno: o que querem os hipsters
Quais seriam os sinais de que esse reavivamento da teologia reformada é genuíno?
A longo prazo, seria a existência de igrejas organizadas (com pastores, presbíteros e membros), onde esse material é pregado fielmente, e o evangelho é vivido e pregado diariamente. E isso seria conseqüência de algo mais imediato: uma piedade que não precisa chocar ou ser egocêntrica por conta da própria sensação de estar na moda.
Essa piedade trará o foco para as qualidades de caráter e prática que Paulo exalta em suas cartas, ao invés dos traços de estrelismo que muitas vezes ele condena em suas palavras à igreja de Corinto. Ela se manifestará em um compromisso humilde com a reunião da igreja local, a atenção humilde à pregação da Palavra e o serviço humilde da congregação. Ela se mostrará no cuidado zeloso de nossas mentes e corações (a parte mais difícil) com as doutrinas e comportamentos duvidosos – não para conquistar o favor de Deus, mas porque Deus já nos abençoou com todas as coisas boas em Cristo. Ela não será brusca ou gritante. Talvez não seja nem legal nem relevante, exceto por acidente.
E é essa piedade na igreja que eu temo estar faltando nesse movimento atual.
Traduzido por Filipe Schulz | iPródigo.com| Original aqui
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Ivan
21/03/2011, 17h53Creio que muitas pessoas infelizmente estão sendo influenciadas por esse movimento apenas como uma “modinha”, esses são aqueles que com o tempo vão abandonar o que diziam acreditar para seguir outra “modinha”.
Mas também acredito que está havendo entre alguns um reavivamento genuíno, jovens que tem buscado ler e estudar mais a palavra, se dedicar mais em oração.
Vamos orar para que esses que realmente estão sendo transformados sejam a maioria.
Parabéns pelo site.
Bryan
21/03/2011, 19h16Lendo todos estes textos me fazem pesar se eu estou entrando em uma modinha ou não.
Para falar a verdade não seria a primeira. Hj me encontro em uma Igreja extremamente Neo-pentencostal baseado no modelo celular e no modelo dos 12 e existem coisas que entram em conflito direto entre eu e eles. Porém penso da seguinte forma: Eles estão pregando o Evangelho de alguma forma, blz!!!! Tem um líder presente na Igreja no qual traz sermões, no qual eu possa refletir, blz!!!!!!!!!!! Por isso em meio a tantos contrastes me retenho e vejo de alguma forma algo que possa ser coveniente para uma vida cristã.
A parte difícil e quando os mesmos me confrontam com relação a algum assunto, daí eu me exponho, e a pessoa que no final esta quase me querendo me arrebentar, ou mesmo nem me ouvir antes mesmo começar a falar algo que a mesma deu lenha.
Fico na Igreja por temer que seja uma vontade do meu coração me exaltar por saber esta teologia reformada, por isso tenho que ficar na defensiva em todas as comunhões, mas tem hora que eu suplico , meu Deus, tá difícil!!!
Outro fator preocupante é meu amigo que só em uma conversa que eu tive com ele sobre o calvinismo, ele acabou virando um calvinista extremado e temo tb que ele passe por estes problemas mesmo a Igreja dele não sendo a mesma, acho que ele vai passar por uns bocados por levar esta teoligia da soberania de Deus tão a sério. Gostaria de uma opinião ?
Valeu galera do iprodigo. Que Deus continue suprindo as vossas necessidades, e nas quais vocês têm compartilhado com a galera.
Shalon!!!!!!!
Weliton
21/03/2011, 22h30Concordo que muitas pessoas estão sendo influenciadas por uma “modinha” teológica.
E o Brasil é um bom lugar para estas modinhas, as igrejas brasileiras que são em sua maioria pelagianas, são um bom cenário para jovens e adolescentes serem revolucionário ou ser apenas “do contra”.
Um jovem que gosta de teologia, que assiste pregações na internet, que lê livros de teólogos, e que lê a bíblia logo ganha destaque em suas igrejas. Tenho observado isso até em igreja bem tradicionais e de tradição reformada.
Esta moda pode ser apenas um caminho para o estrelismo nas igrejas locais; e isso tenho observado também em meu contexto.
Porém conheço algumas pessoas – e acredito que também sou – frutos deste novo calvinismo que realmente foram e estão sendo transformadas pelo poder da palavra; jovens com convicção de pecado, sede por evangelização e pregação cristocentrica (expositiva).
Por isso creio que este movimento, onde jovens estão se interessando pela teologia reformada seja um agir de Deus e oro para que depois do grande avivamento do século XVIII realmente surja um verdadeiro despertamento nas Américas. O novo calvinismo pode ser o início desse ‘mover’ do Espírito Santo no mundo depravado e totalmente carente de Deus.
Graça e Paz.